terça-feira, 2 de agosto de 2011

O Cânone Literário – Conceito e Contexto


Discorrer sobre o cânone literário é sempre uma atividade controversa, aqui pretendemos apresentar rapidamente um relato sobre algumas das contradições sócio-históricas existente em sua formação. Antes de qualquer reflexão se faz necessário esclarecer o próprio conceito da palavra.

O termo cânone deriva do grego kánon e diz respeito a uma regra, modelo ou norma representada por uma obra ou um poeta. Pode significar relação ou catálogo importante, definido por autoridade reconhecida. Assim o cânone literário nada mais é do que uma seleção valorizada de livros, consequentemente impõe a exclusão de muitos outros, originando dessa escolha muitas controvérsias.

Essa lista literária, conforme Compagnon (2001) começou a se estabelecer no século XIX, ancorada no nacionalismo e no papel de herói que os escritores desempenhavam ao retratar o forte sentimento pela nação. Todavia Perrone-Moisés (1998), discorda dessa afirmação e assegura que foram os filólogos alexandrinos os primeiros a fazerem uma lista de autores literários para serem lidos em escolas de gramática.

Na linha do tempo, o cânone clássico nasce na Idade Média, juntamente com Dante e outros escolhidos, guiado pelo latim como forma de seleção do cânone nacional. O Moderno começa no Renascimento italiano, se expande por meio dos escritores subsequentes que legitimam ancestrais e pelos canonizados em um processo de reconhecimento mútuo (conf. PERRONE-MOISÉS, 1998, p. 175). Já no século XX mudanças guiam as leituras de obras canônicas de forma bastante prática, pois passa a existir uma preocupação crescente em fornecer leituras formadoras ao currículo dos jovens e instruí-los para “reconhecer” as obras de qualidade estética. Assim o cânone modernista é formado e reconhecido por especialistas de literatura e leitores que reproduzem esse padrão, mesmo sem entender o sentido de suas escolhas.

Seguindo a praticidade, atualmente, frente à limitação humana, os diversos papéis assumidos socialmente, o tempo cada vez mais escasso faz surgir e se propagar com facilidade listas de atividades fundamentais, tais como: a lista das melhores músicas, dos lugares que devem ser visitados antes de morrer, dos restaurantes que devem ser conhecidos e dessa forma os livros também devem ser hierarquizados. Segundo Harold Bloom (1995), “Quem lê tem de escolher, pois não há, literalmente, tempo suficiente para ler tudo, mesmo que não se faça mais nada além disso.” (1995, p. 23). Todavia é preciso problematizar essa escolha e levar em consideração os aspectos que tem fundamentado a leitura do livro “A” em detrimento ao “B”. O que iremos explicar no próximo post.

7 comentários:

  1. Muito legal com uma linguagem simples e didática para entender o que cânone.
    Grata

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  2. Tirou minha dúvida sobre onde se inicia o Cânone moderno. Muito esclarecedor.

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  3. Oi!
    Você pegou como referência várias obras ou alguma em específico que apresenta as teorias de todos os autores citados?

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  4. Usei o seu conceito de cânone literário na minha postagem sobre o assunto e espero que não se importe. Creditei tudo bonitinho. xx.

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